António Tavares: “A escrita rouba-nos a vida”

Escritor, jornalista, advogado, político, agora um observador da vida. Aos 62 anos, o autor português já não quer ir à descoberta. Que venha até si. Merecido descanso.

Se por um lado, vou notando alguma estranheza porque não sou invadido por essa gente para me sentar ao computador ou tirar notas, por outro, sinto-me mais liberto por não andar com essa tralha às costas. Há uma sensação de liberdade.

Quando se entra nesse processo de tocar por tocar ou de pintar por pintar, tudo o que vive do ato criativo, tudo isso, se vier do lado mais formal, acaba por intoxicar.

A leitura é um ato de vida. Não consigo conceber uma coisa sem a outra. Se, de repente, nos faltassem os livros, valeria a pena viver, mas isto perdia muito da graça que tem.

Fotografia Mário Príncipe assistido por Tiago Serrano entrevista José Paiva Capucho produção executiva e edição imgmSTUDIO